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17.12.2018

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17.10.2017

e A DEMOCRACIA CAPITALISTA NA FAMÍLIA BRASILEIRA em conto...

 

 

 

Ele não tinha muitos amigos na escola quando criança. Ele era o esquisito da turma, mas a medida que crescia começou a perceber algumas mudanças a sua volta, as crianças começaram a perguntar sobre suas coisas, mas se tornaram de fato suas "amigas" quando sua mãe teve a brilhante ideia de fazer uma festa de aniversário na sua casa, que diga-se de passagem, era o sonho de toda criança daquela escola. Tinha pula-pula, uma sala cheia de brinquedos, piscinas de bolinhas. Todo mundo queria ser amigo de Pedro, sim agora ele tinha nome, não era mais o esquito, quatro olhos, nerd e tantos outros nomes.. Até aquela menina que ele gostava estava olhando diferente para ele. Ela sorria e não passava mais reto por ele. Chegava final de semana, todo mundo queria ir na sua casa, seu pai vendo tão faceiro com as novas amizades do filho, chegou a construir uma casa na árvore, e não demorou muito para ele passar de ser o mais esquisito para o mais popular da escola.... Até André chegar. Ele vinha de outra cidade e logo deu uma festa na sua casa, esta tinha até trem fantasma, atores que saltavam fogo pela boca, príncipes e princesas contando histórias em todos os cantos. Dar festas virou quase uma obrigação dos novos alunos.. Logo chegou Marta com sua piscina olímpica, Pablo com sua quadra de jogos, etc.. E assim seguia a rotina da escola, Pedro implorava para seus pais  lhe darem novas coisas, cada novidade que fosse para agradar mais, às vezes era até um chiclete diferente, tênis, camiseta, caderno, apontador, brinquedo, celular diferenciado.. Seus pais iam até onde podiam para agradar mas não tinham como competir com todas aquelas novidades que traziam as outras crianças. Eles não queriam dar tablet, celular mas acabaram se rendendo as insistências de Pedro. Viviam em dúvidas sobre que educação dar, afinal aquele circulo de amizades parecia tão materialista quanto os colegas de trabalho e aquilo tudo parecia uma grande correnteza que consumia todos eles.

Um dia Roberto, pai de Pedro, chegou mais cedo do trabalho e jogava futebol sozinho no pátio de casa, aguardando o filho chegar da escola. Pedro já era quase um adolescente agora e viva grudado no celular, nem viu o pai, entrou e foi direto para o quarto onde estavam seus jogos no computador. Roberto, subiu chamou, mas logo chegaram outros meninos entusiasmados com os jogos novos que Pedro tinha comprado. O tempo passava e nada tinha mudado, Roberto sentia-se cada vez mais invisível, Pedro só falava com ele para lhe pedir coisas, e ele assim tinha se acostumado a dar, a viver, a abrir a carteira.  Ele já parecia um "tiozinho" triste, outro dia no semáforo, um menino mais ou menos da idade do seu filho lhe pediu uns trocados, ele sem pensar duas vezes deu. Logo, alguém do carro ao lado, disse:

- Não dê nada pra esses moleques, que eles não param nunca de pedir!

Roberto lembrou na mesma hora de Pedro e percebeu o erro de toda a sua educação, mas mais que isso, ele se questionava agora que se não fizesse nada agora que adulto se tornaria seu filho. O que ele poderia fazer? Fernanda, sua ex-esposa estava grávida, construindo uma nova vida. Será que seria a hora de falar disso?  Talvez se ela ouvisse pelo menos pudesse evitar com Maria que estava quase nascendo. Marcou um café, contou tudo que pensava a ela e Paulo, seu marido. Eles nunca tiveram problemas com a separação e novos conjugues, pareciam mais dois irmãos que duas pessoas que já foram casadas. Fernanda e Paulo foram bem compreensivos a seu apelo, concordavam que a educação precisava mudar mas também não tinham a solução para isso naquele instante. Uma jovem moça aparece com uma caixa de papelão oferecendo algo em várias mesas até que então chega a deles e mostra, são filhotes de um cadelinha que morreu no parto. Só tinham dois, ela colocou um no colo de Fernanda e outro de Roberto. Paulo ficou só observando e disse:

- Será que não está um pouco tarde para isso? O Pedro já tem 12 anos. Logo ele vai querer sair, ir pra festas...

- Será que não está tarde para todos nós? - questiona Fernanda.

Paulo fica em silêncio.

- Talvez ele tenha razão Fernanda, o que vamos fazer com dois cães, o que eles vão mudar na vida do Pedro?

- Talvez finalmente ele tenha um amigo desinteressado, um amigo de verdade!

- Interessado em biscoitos e cavar buracos - ri Paulo - Já vi que vamos ser pais de um cãozinho também. Qual vai ser o nome? Pera aí vamos ver se macho ou fêmea! Uma menina, opa, meu Deus mais uma! 

Fernanda sorria e beija o marido.

- O meu é macho - diz Roberto.

- Xii se prepare vai mijar por tudo! - diz Paulo.

- Ainda assim acredito que precisamos conversar mais sobre esse assunto e pensar como vamos tratar disso tudo.

A moça agradece a gentileza deles ficarem com os cães e diz que tá na hora dela ir plantar na horta comunitária.

- Hoje é meu dia de levar mudas! Obrigada e sejam bons donos, esses cães são iluminados!

Ela sai... 

- Iluminada é essa moça, pelo amor de Deus, de que céu ela caiu?

Fernanda e Roberto agora estão na escola de Pedro conversando com o diretor, onde sugerem que a escola faça uma horta comunitária, ensinando os alunos a plantarem juntos, levarem cada um o seu tanto, e percebendo que podem manter, construir todos juntos, além de consumir algo saudável e exercitar o espírito comunitário.  O diretor parecia relutante.

- Qual o papel de um educador?  Transmitir conhecimento apenas ou tornar crianças adultos melhores? - questiona Fernanda.

- Eu posso colaborar com a criação e contratação de jardineiro e pedagogo. Quanto custa? onde assino?

- Me parece que o senhor está querendo comprar a própria ideia de libertação do capitalismo que o senhor tenta implantar, sr Roberto! Vou levar a sua ideia para o conselho pedagógico da escola e assim que possível daremos notícias, obrigado pela visita - diz o diretor.

- Me desculpe se o insultei, obrigado pela sua atenção. 

- Obrigada 

Fernanda e Roberto saem. O diretor fecha a porta, Fernanda dá um peteleco na cabeça de Roberto.

- Ah isso doeu!

- Mereceu!

- Você viu o que ele disse "libertação do capitalismo", só falta dizerem agora por aí que a gente é comunista!

- Você se filiou a algum partido?

- Não! 

- Então relaxa!

Você acha que vai adiantar? - diz Roberto

- Vai ter que adiantar!

Roberto chega em casa, Pedro está jogando vídeo-game. 

- Pai, o Bob fez xixi e cocô por toda sala!

Roberto exausto, desliga a tv do filho e diz:

- Ótimo! Agora pega o balde e vamos limpar isso juntos!

 

...

 

Cenas do próximo capítulo: Será que a escola implantou a ideia de Roberto e Fernanda? Será que as crianças mudaram sua forma de pensar? E Pedro como será que está lidando com a nova rotina?

 

Roberto já com tudo limpo e distante de Pedro manda um whats de voz para Fernanda:

- Olha fiz ele limpar todas as bostas do cachorro junto comigo, só depois disso ele pode  jogar vídeo-game! Já conseguiu essa façanha aí?

 

Pode marcar um ponto a mais nesse placar aí! 

 

Roberto larga o celular, abre uma gaveta, abre uma caderneta, onde diz: 

 

Placar: Bons pais 2017 

Roberto x Fernanda

 

Com 9 pauzinhos do lado dele e 10 do lado dela.

 

Ele assinala mais um do lado!

 

- Empate!      

 

  

 

 

 

 

 

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MELINA GUTERRES

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