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Pós-moderno

01.03.2017

 

Chegou em casa, Cibele disparou a escrever. Não tinha ouvido nada de interessante o dia inteiro, aliás estava cansada do repeteco dos assuntos de trabalho, das amigas casadas com filhos, das solteiras com suas festas sempre iguais, de comprar diferentes livros e nas primeiras páginas encontrar uma narrativa já conhecida, televisão já nem fazia questão de ter, jornais e revistas cancelava e assinava novamente, na internet buscava por músicas de bandas não tão conhecidas, nos saraus de poesia encontrava algum dia alívio, outros tédio. Tinha a sensação de já ter visto inúmeras vezes a mesma situação, as pessoas só mudavam de corpo, em geral tinham os mesmos pensamentos, atitudes. Cibele estava literalmente cansada de tudo aquilo e ainda por cima menstruada.  Sem pensar pegou a bolsa, um livro, seu celular, fone de ouvido, carteira e partiu sem saber exatamente pra onde. O livro, como já imaginara, nada a surpreendeu nas páginas que leu dentro do metrô, desceu na estação em que não aguentou mais ler um parágrafo, se recusou a ler a página final, fez um brique com o feirante, vendeu pela metade do preço e ainda trocou por outro. Talvez esse tivesse algo inovador.  Cibele ansiava por aventura, seguiu andando por uma avenida movimentada até perceber um som, sem pensar seguiu a música, encontrou uma multidão de pessoas diante de um palco.

E lá estava ele naquele palco tocando junto a uma orquestra. Vestia uma camisa florida aberta mostrando o abdome perfeito, a purpurina rosa que escorria com o suor por seu rosto, corpo, barba. Cabelos amarrados ao alto, ele erguia os braços dava para ver.., a cueca era verde. Tantos símbolos contraditórios numa só imagem, quem era aquele homem? O que pensa ele que reúne tantas culturas em si mesmo? E aquela música... bom a música já era notável.. Só poderia ser alguém inteligente para reunir sacro com profano, erudito com popular.  Mas e aquela saúde, parece que mente e corpo se equilibram, afinal não são mais tempos de dispensar nenhum deles. Certamente deve ser adepto dos orgânicos ou quem sabe até vegetariano.  Será que não? Faz o estilo... Mas quantos ali cabem naquela imagem? Hippie, skatista, malhado de academia, purpurinado e músico.... clássico e brasileiro. E se fosse um quadro, o que diriam os críticos?

Tudo isso lhe passou por um milésimo de segundos, repentinamente ali estava diante dela uma reunião de clichês ou o clichê seria ela? Ficava se questionando se ele tinha consciência do que queria passar ou se era algo rotineiro e quase irracional. Evidente que ele só pode ser de esquerda, mas será esquerda inteligente ou daqueles alienados que mais fazem estilo do que realmente são. Direita definitivamente estava descartado. Ele tinha um “quê” de contracultura reunindo expressões de diversas culturas na própria imagem e música. Ela não precisava conhecê-lo, já encontrou o que buscava.  Voltou pra casa culturalmente saciada.  

 

 

Foto Jeyson Paez, in: 

https://pausadramatica.com.br/2015/09/24/fotografo-se-inspira-na-bandeira-do-arco-iris-e-e-faz-brilhante-serie-de-fotos-de-pessoas-cobertas-de-gliter/

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MELINA GUTERRES

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