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Selva brota

20.01.2017

Chego em São Paulo e o taxista me diz aqui é uma selva de pedra, eu respondo: Selva de pedra é em todo lugar. Onde quer que se vá você vai encontrar, no interior ou capital... Gente feito pedra. A questão é como não se tornar uma.

Ele concorda e seguimos pela avenida paulista. 

Em tempos de ódio buscar o que é sensível soa quase como uma caretice. Afinal são tempos de vomitar o verbo, termo que eu gostava muito de utilizar no meu primeiro blog em 2004, onde um amigo definia a minha escrita como "ácida". Eu gostava de ser crítica, aliás gosto, mas só isso não me satisfaz.

Naquele tempo comentávamos uns nos blogs dos outros, os textos geralmente tinham bem mais que 30 linhas. Quando inventaram o twitter me lembrei do estágio que fiz em uma TV. Eu que tinha vindo do jornal, tinha que sintetizar tudo. Ali parecia mais uma aula. Com o face não foi diferente no começo, ele também tinha uma limitação de caracteres. Não foi fácil se adaptar.  Mas se o mundo queria ler menos e escrever menos... O bom foi ver pessoas que nunca escreveram uma linha além do control c e control v começarem a se ensaiar em poucas linhas. Alguns evoluíam outros seguem compartilhando conteúdo. E a "bola" da informação foi girando cada vez mais aceleradamente. E aquele vômito que eu levava uns 3 blogs pra ler, horas pra escrever, agora era coletivo e sem filtro. E vieram as brigas, ofensas pessoais, a política, a justiça e muitas verdades diferentes. O país se dividiu.

Ontem, procurando pessoas dispostas a dividir moradia, encontro livros, instrumentos musicais, cds e uma placa com um claro posicionamento político parecido com o meu. Evidente que me senti mais confortável e segura... pelo menos era uma discussão a menos.  Agora se posicionamento político fosse garantia de "boa amizade" eu não teria me decepcionado com tantos no decorrer desses anos. Fato é as pessoas nos surpreendem pra melhor ou pior. Relações que pareciam sólida, parecem líquida e muitas vezes indo pelo ralo sem sequer saber as razões. Eis a "modernidade líquida" já disse Bauman e a solidão. 

Outro dia me perguntava porquê tive na vida a oportunidade de emergir em diferentes realidades, classes sociais, diversidades.  Um dia num estado, outro em outro, um dia num evento gospel, outro em uma festa GLS, um dia numa humilde casa onde mal tinha o que se comer, outro numa festa no Fasano, um dia num fusca, outro numa mustang conversível, um dia entrevistando quem mal sabia se expressar, outro um escritor, um dia numa aula de alfabetização, outro vendo uma disputa de egos e títulos, um dia entre crentes, outro católicos, umbandistas, um dia entre veganos, outros vaqueiros, um dia no rock, outro no samba, um dia na mata, outro na selva de pedra. E foram tantos os contrastes que a vida e a minha formação em jornalismo me proporcionaram.....

Que parece até injusto não fazer uma "magia" com tudo isso. E no mesmo dia que uma amiga sofria racismo por ser branca, outra sofria por ser negra... Mas aquela senhora que sentei ao lado olha para as pessoas dançando e me diz "Como é bonito ver todo mundo junto né?"  E num olhar, numa frase, naquele pensamento não havia cor nem classe que nos distanciasse. 

Um dia entre roteiristas, outro entre atores.... É estes dois últimos são os que escolhi hoje para fazer alquimia com tudo que já vi.  

Se fora a selva é de pedra, dentro ela é verde e brota.

 

 

 

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MELINA GUTERRES

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